Desenvolvimento do país pode ser obra do governo?

A Embraer somente existe porque existiram sonhadores que, mesmo imaginando as dificuldades e desafios, tiveram a iniciativa de usar competência e ousadia de pensar grande, e iniciar um projeto que deu origem à Embraer de hoje! De fato, os problemas foram grandes, como eram grandes os sonhos, e assim um primeiro avião foi concebido, projetado e construído dando razões para que a Embraer fosse constituída em 1969, há cinquenta anos. Também surpreendentemente, a empresa, criada como sociedade de economia mista pelo Governo Federal, fosse privatizada em 1994. Isso tudo foi obra dos sonhadores que, além do conhecimento e competência, desenvolveram um plano empresarial técnico, comercial e competitivo, do ponto de vista do marketing comercial e internacional.

A Embraer transformou-se numa corporação global, com capital pulverizado, atraindo investidores de todo o mundo, capitalizando-se para o desenvolvimento de novos produtos ganhando expansão no mercado mundial. No período, comandada por engenheiros, lutou para ser privatizada e conseguiu. Após a privatização, transformou-se na terceira maior fabricante de aviões de transporte aéreo do Mundo, tendo produzido mais de 8 mil aviões. Hoje, a cada 10 segundos, uma aeronave da Embraer decola em algum aeroporto do Planeta, transportando cerca de 150 milhões de passageiros por ano!

Na década de 60, quando procurávamos meios e modos para materializar a fabricação de aviões no Brasil, a Coreia do Sul era uma das nações mais pobres do mundo, destroçada por uma guerra que destruiu 25% da riqueza nacional e matou 5% da população civil. Hoje, o país tem um PIB per capita quase três vezes superior ao brasileiro e uma economia impulsionada pela alta tecnologia.

Quando se analisa os desenvolvimentos coreanos e brasileiros de 1953 – época do término da guerra da Coreia – a 1969, houve pesados investimentos em educação. Na Coréia reduziram o analfabetismo de 70% para 20%. No Brasil foi criado o ITA, formando Engenheiros Aeronáuticos do mais alto nível.

A estratégia coreana “contrastou com a do Brasil, por exemplo, onde o ensino secundário era restrito à elite e suficiente apenas para alimentar as matrículas nas universidades”.

É bom lembrar que o “milagre” sul-coreano se deu sob um regime militar autoritário, instalado por meio de um golpe de Estado em 1961. As eleições diretas só voltaram em 1987.

Alguns, lendo este artigo, podem pensar que sou a favor de regimes autoritários. A finalidade da comparação de épocas, do desenvolvimento brasileiro e da Coreia, justifica meu espírito democrático e apenas mostram as diferenças que a educação, generalizada, abrangente e competente podem fazer com um país.

Assim, meus caros brasileiros, ricos ou pobres, de todas as raças que habitam nosso maravilhoso país, temos grandes desafios a vencer, mas nada parecidos com os coreanos (muito maiores do que os nossos)..